Lesão por Pressão – ABPF – Associação Brasileira de Pessoas com Feridas (2022)

Definição

De acordo com o National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) a Lesão por pressão é um dano localizado na pele e/ou tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea ou relacionada ao uso de dispositivo médico ou a outro artefato, provocadas pela interrupção do fornecimento de sangue para a área. A lesão pode se apresentar em pele íntegra ou como úlcera aberta e pode ser dolorosa.

Ocorre como resultado da pressão intensa e/ou prolongada em combinação com o cisalhamento. A tolerância do tecido mole à pressão e ao cisalhamento pode também ser afetada pelo microclima, nutrição, perfusão, comorbidades e pela sua condição. Atualmente o termo lesão por pressão pode ser aplicado a qualquer lesão cutânea provocada pela exposição da pele a uma combinação de fatores físicos incluindo pressão, fricção, cisalhamento e umidade. São também denominadas popularmente e de forma inadequada de úlcera de decúbito e escaras. Seus índices de prevalência e incidência têm aumentado, embora existam poucos trabalhos sobre incidência e prevalência de lesão por pressão no Brasil, um estudo realizado em um hospital geral universitário evidenciou uma incidência de 39,81%.

Causas

A lesão por pressão pode surgir em poucas horas, devido à interrupção do fluxo sanguíneo para a área, por oclusão dos capilares (vasos sanguíneos), interferindo na oxigenação e nutrição dos tecidos, ocasionando, consequentemente, isquemia, hipóxia, acidose tissular, edema e necrose celular. Podem ser ocasionadas por fatores internos (intrínseco) e fatores externos (extrínsecos).

Os fatores externos estão relacionados com o mecanismo da lesão, aqueles que impedem a circulação sobre a superfície da pele, sendo eles a pressão, o cisalhamento e a fricção. A pressão é o fator mais importante, o tecido mole é comprimido entre uma saliência óssea e uma superfície dura, causando a isquemia. O cisalhamento ocorre quando o indivíduo desliza na cama e a fricção quando duas superfícies são esfregadas uma contra a outra e a umidade agrava os efeitos da fricção. A pressão é sem dúvida alguma, o fator principal para o desenvolvimento da lesão por pressão.

Já os fatores intrínsecos são: idade, má nutrição, imobilidade, alteração do nível de consciência, incontinência urinária ou fecal, peso corporal, diminuição da sensibilidade à dor, desidratação, alterações respiratórias, hipertermia, uso de medicamentos (analgésicos, esteroides e sedativos), presença de doenças crônicas como o diabetes, alterações circulatórias e o uso de fumo também reduzem a perfusão dos tecidos contribuindo para o aparecimento de lesão por pressão.

As pessoas mais suscetíveis à lesão por pressão são aqueles que se encontram imóveis, limitados à cama ou à cadeira de rodas, ou seja, aqueles inaptos a detectar sensações que indiquem a necessidade de mudar de posição.

Tipos

São classificadas em quatro categorias de I a IV e ainda duas categorias acrescentadas em 2007 pela NPUAP: “úlceras que não podem ser classificadas” e “suspeita de lesão tissular profunda”.

Categoria I: Pele intacta com hiperemia de uma área localizada que não embranquece após alívio da pressão, geralmente sobre proeminência óssea. Em pele de pigmentação escura pode não ser visível o branqueamento; a sua cor pode ser diferente da pele em redor. A área pode estar dolorosa, endurecida, amolecida, mais quente ou mais fria comparativamente ao tecido adjacente;

Categoria II: Perda parcial da espessura da derme, que se apresenta como uma ferida superficial (rasa) com leito de coloração vermelho pálido, sem esfacelo. Pode também apresentar-se como bolha intacta ou aberta/rompida, preenchida por líquido seroso ou sero-hemático. Apresenta-se como uma úlcera brilhante ou seca, sem crosta ou equimose (arroxeamento);

Categoria III: Perda de tecido em sua espessura total, ou seja, derme e epiderme são destruídas e o tecido subcutâneo é atingido. Pode ser visível o tecido adiposo subcutâneo, mas não estão expostos os ossos, tendões ou músculos. Pode estar presente algum tecido desvitalizado (esfacelo), mas não oculta a profundidade dos tecidos lesados. Pode incluir lesão cavitária. A profundidade de uma úlcera de categoria III varia com a localização anatómica. A asa do nariz, orelhas, região occipital e maléolos não têm tecido subcutâneo (adiposo) e uma úlcera de categoria III pode ser superficial. Em contrapartida, em zonas com tecido adiposo abundante podem desenvolver-se úlceras de pressão de categoria III extremamente profundas. O osso/tendão não é visível ou diretamente palpável;

Categoria IV: Perda total de tecido e do tecido celular subcutâneo, com exposição óssea, dos músculos ou tendões. Pode estar presente tecido desvitalizado (esfacelo) e ou tecido necrótico. Frequentemente são cavitárias e fistulizadas, incluindo descolamento e túneis. A profundidade de uma lesão por pressão de categoria IV varia com a localização anatômica. A asa do nariz, orelhas, região occipital e maléolos não têm tecido subcutâneo (adiposo) e estas úlceras podem ser superficiais. Uma úlcera de categoria IV pode atingir músculo e/ou estruturas de suporte, por exemplo, fáscia, tendão ou cápsula articular tornando a osteomielite provável de acontecer. A exposição de osso/tendão é visível ou diretamente palpável;

Suspeita de lesão tissular profunda: Área de coloração vermelho escuro ou púrpura localizada em pele intacta e descorada ou bolha preenchida com sangue, provocadas por danos no tecido mole subjacente pela pressão. A área pode estar rodeada por tecido mais doloroso, endurecido, amolecido, úmido, mais quente ou frio comparativamente ao tecido adjacente. A lesão dos tecidos profundos pode ser difícil de identificar em indivíduos com tons de pele escuros. A evolução pode incluir uma bolha de espessura fina sobre o leito escurecido da ferida. A lesão pode evoluir adicionalmente ficando coberta por uma fina camada de tecido necrótico (escara). A sua evolução pode ser rápida expondo outras camadas de tecido adicionais mesmo com o tratamento adequado;

Lesão inclassificável: Lesão com perda total da espessura dos tecidos, na qual a base da úlcera está coberta pela presença de esfacelo (amarelo, acastanhado, cinzento, verde ou castanho) e/ou há escara (tecido necrótico amarelo escuro, castanho ou preto) no leito da ferida. Até que seja removido todo tecido desvitalizado suficiente para expor a base da ferida, a verdadeira profundidade não pode ser determinada. Uma escara estável (seca, aderente, intacta e sem eritema ou flutuação) nos calcâneos, serve como curativo biológico natural e não deve ser removida.

As localizações preferenciais são: regiões de proeminência óssea, como o sacro, o cóccix, o trocânter e o calcâneo.

Cuidados

O cuidado inicial da lesão por pressão pode envolver limpeza da ferida, desbridamento (remoção de tecido desvitalizado) aplicação de curativo e em alguns casos cirurgia reparadora. O processo de limpeza envolve a seleção de uma solução de limpeza e os meios mecânicos para fazer com que essa solução chegue até a ferida. A limpeza de rotina deve ser realizada com o mínimo de traumas mecânicos possíveis. Tecidos desvitalizados favorecem o crescimento de bactérias patológicas, assim sua remoção altera de forma favorável o ambiente de cicatrização de uma ferida. As lesões por pressão requerem curativos para manter a sua integridade fisiológica, um curativo ideal deve proteger a ferida, ser biocompatível, promover alívio da pressão e fornecer um microclima ideal.

Prevenção

Entre os cuidados preventivos cita-se a inspeção diária das proeminências ósseas, frequência dos banhos, contraindicação ao uso de água quente durante a higiene da pele e a massagem em proeminências ósseas, uso de loção hidratante após o banho, uso de protetores tópicos nos casos de incontinência urinária e/ou fecal e a necessidade de identificar e corrigir fatores relacionados à nutrição e à hidratação do indivíduo.

Tratamento

Entre os cuidados destaca-se a mudança de decúbito regular considerando o alinhamento postural, a distribuição do peso e a necessidade de mover a pessoa com ferida em vez de arrastá-lo no leito durante as mudanças de decúbito ou transferências, higienização da pele e hidratação a cada mudança, evitar parada de suporte nutricional, usar colchão pneumático, uso de curativos ou dispositivos aliviadores de pressão de espuma em regiões de proeminências ósseas, não realizar massagem em proeminência óssea. Após avaliação da lesão e identificacação da categoria em que se encontra, recomenda-se o uso de coberturas, tais como hidrogéis, hidrocolóides, hidrofibras, alginato e filme transparente.

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Author: Neely Ledner

Last Updated: 11/06/2022

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